Uma nova forma de falar sobre Flamengo

Como tudo começou!

Em meados de 2025, tudo passou a ficar mais claro. A história que a torcida do Flamengo vivia precisava ser contada e recontada. De um lado, a grande mídia esportiva, marcada por um predomínio histórico de jornalistas paulistas; de outro, uma torcida desconfiada — em parte traumatizada pelas decepções do período pós-Jorge Jesus, em parte mimada e pouco capaz de suportar os reveses próprios do mundo do futebol.

Tratava-se de um clube rico, de audiência gigantesca. Um clube que rendia mais aos bolsos de influencers e jornalistas-influencers em crise quando cercado por fofocas e supostas pautas bombásticas do que nos períodos de calmaria, estabilidade e trabalho contínuo.

Silenciosamente, o Flamengo de 2025 — o Flamengo de Filipe Luís, Arrascaeta, Léo Pereira e Jorginho — empilhava taças a uma média superior a uma a cada dois meses. Recuperava fisicamente jogadores destroçados por péssimos controles de carga e volume, pela falta de planejamento e por falhas de comando. Estabelecia um canal seguro e confiável com uma diretoria amadora, a partir da figura de José Boto. Administrava crises pontuais com firmeza e sensibilidade.

Ao final, tratado como azarão em quase todas as decisões que disputou, fechou a temporada como o maior clube das Américas e um dos maiores times do planeta. A história desse esquadrão nos inspirou a registrar, neste blog, a trajetória deles e de tantos outros que ainda virão. Aquilo que alguns de nós já fazíamos por meio das redes sociais e de publicações esporádicas, agora pode ser realizado de forma sistemática, oferecendo à maior torcida de futebol do mundo um espaço de reflexão, memória, crítica e celebração do que é ser rubro-negro.

Não seremos. Somos!

O que é o Vôo Cego?

“Voo cego” foi uma expressão cunhada pelo jornalista Mauro Cezar Pereira por ocasião da contratação de Filipe Luís para a chefia da comissão técnica do futebol do Flamengo. No contexto, o jornalista fazia uma crítica contundente à diretoria do clube à época, em outubro de 2024, que, ao demitir Tite e contratar Filipe, estaria promovendo um “voo cego”: uma decisão tomada sem planejamento, sem cálculo, por puro impulso e sob forte pressão da torcida.

Tudo isso era verdade. O que não se enxergava naquele momento, porém, era que estava diante de nossos olhos um dos treinadores mais promissores da história do futebol brasileiro. Ainda é cedo para afirmar que Filipinho será um dos maiores de todos os tempos, mas já sabemos que, após um ano de trabalho, com sete taças conquistadas, incluindo Brasileiro e Libertadores, a decisão tomada lá atrás foi acertadíssima.

Nós, na condição de mero torcedor, passamos a questionar de forma mais aprofundada nosso olhar sobre a imprensa esportiva e a identificar certa superficialidade na maioria dos comentaristas do meio. Num papel de historiador e pesquisador, começamos a dedicar tempo e energia a contribuir, primeiro em um grupo de WhatsApp e agora aqui pelo blog, com análises sobre o jogo, contextualizando-o sobretudo a partir da História e da Geopolítica.

Aqui no Blog, Vôo Cego será uma aba específica que terá crônicas sobre o primeiro ano de Filipe Luís à frente do time de futebol masculino profissional do Flamengo,  que aqui se com análises  do esporte mais amado do planeta de forma crítica, consciente e sem voos cegos.

Vocês não são o Bayern!

Este é um espaço voltado para o torcedor rubro-negro de todo o país e mundo, o que não quer dizer que seja proibida ou mesmo indesejada a leitura e presença de amantes do antigo esporte bretão e de mentes críticas ao esporte e mundo. Sejam todos bem-vindos, mas lembrem-se rivais, vocês não são o Bayern!

Publicado por

vinialmeida81@gmail.com

Professor de História e torcedor e sócio do Clube de Regatas do Flamengo. Fundador do Blog Crônicas da Nação e escritor do Le Monde DIplomatique Brasil.

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